Aos guerreiros de coração

 Ela se manifesta porque nosso coração está absolutamente exposto. Nenhuma pele ou tecido o recobre – é pura carne viva.

Ela se manifesta porque nosso coração está absolutamente exposto. Nenhuma pele ou tecido o recobre – é pura carne viva.

“Quando acordamos nosso coração dessa maneira (meditação e auto conhecimento), para nossa surpresa, descobrimos que ele está vazio. Temos a impressão de estar olhando para o espaço sideral. O que somos nós? Quem somos nós? Onde está nosso coração? Se olharmos com atenção, nada veremos de tangível ou sólido. Claro, é possível encontrar algo muito sólido se tivermos rancor contra alguém ou se estivermos possessivamente apaixonados. Mas esse não é um coração desperto. Se procurarmos o coração desperto, se colocamos a mão no peito para senti-lo, nada encontramos – a não ser ternura. Sentimo-nos doloridos e ternos, e se abrirmos os olhos para o resto do mundo, reconheceremos em nós uma profunda tristeza. Esse tipo de tristeza não vem de termos sido maltratados. Não estamos tristes porque nos insultaram ou porque nos consideramos pobres. Essa experiência de tristeza é incondicionada. Ela se manifesta porque nosso coração está absolutamente exposto. Nenhuma pele ou tecido o recobre – é pura carne viva. Mesmo se um pequeno mosquito pousasse nele, nós nos sentiríamos profundamente tocados. Nossa experiência é crua, terna e absolutamente pessoal.

O autêntico coração da tristeza provém da sensação de que o nosso inexistente coração está cheio. Derramaríamos o sangue do nosso coração, daríamos nosso coração aos outros. Para o guerreiro, é a experiência do coração triste e terno que dá origem ao destemor. Convencionalmente “ser destemido” significa não ter medo ou, se alguém lhe der um soco, você revidar. Entretanto, não estamos falando do destemor desse nível das brigas de rua. O verdadeiro destemor é produto da ternura. Surge ao deixar o mundo tocar nosso coração, nosso belo e despido coração. Ao nos dispormos a nos abrir, sem resistência ou timidez, e a encarar o mundo. A nos dispor a compartilhar nosso coração com todos.”

~ Chögyam Trungpa Rinpoche, The Genuine Heart of Sadness, capítulo extraído do livro The Sacred Path of Warrior, 1984.

 

 

Pra não termos a ilusão de que a evolução e o auto conhecimento nos protegerá de toda a tristeza e violência. Sim, acredito quanto mais profunda e intensamente buscamos mais passamos por caminhos tortuosos, que às vezes nos assustam. Somos também vulneráveis e frágeis e caminhamos para aceitá-lo.

 

 

 

Fonte: Dharmalog

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